Uma voz nova junto a um quadro de 1938
Imaginem entrar no Museu Nacional de Arte Contemporânea, parar junto a uma obra, scanear um QR code, pôr uns auscultadores e ouvir uma criança a contar, com as suas próprias palavras, o que aquela peça lhe faz sentir.
É isto que está a acontecer agora, junto a “O Poeta e o Anjo”, de Mário Eloy, 1938.
A obra
Um homem deitado ao colo de quem ama, um ramo na mão, o olhar perdido. Um anjo quase transparente ao seu lado. Atrás dele, só o horizonte, um barco, um sol a pôr-se. É uma das últimas telas pintadas por Mário Eloy, um dos nomes maiores do expressionismo português: uma composição carregada de símbolos, de alegoria, de um lirismo que só se entende depois de se conhecer a vida atribulada do pintor.
Um adulto vê tudo isso. E uma criança de oito anos, sem saber nada disto?
O projeto
Foi essa a pergunta que andámos a fazer a mais de 100 crianças da Escola Maria Barroso, ao longo de seis meses, dentro do projeto “Parar para escutar”. De 15 em 15 dias, ora no museu, ora na escola, as crianças encontraram-se com dois artistas-mediadores da Lugar Específico, um atelier que cria pontes entre instituições culturais, escolas e comunidades, para olhar, questionar e criar em torno da coleção do MNAC.
A Spark Foundation apoia este percurso desde o primeiro dia.
O resultado
As próprias crianças gravaram áudios a partir das suas leituras das peças da coleção. Esses áudios estão agora acessíveis por QR code junto a cada obra, uma nova camada de leitura da coleção do MNAC, escrita por quem a visitou com outros olhos.
Há muitas destas vozes espalhadas pela coleção. A de “O Poeta e o Anjo” é só uma.